Projetos de pesquisa

PROJETOS DE PESQUISA

A área da Baixada Maranhense é considerada pela Convenção de Ramsar, como uma área úmida internacionalmente importante que fornece áreas de descanso com abundantes recursos para espécies migratórias, compreendendo cerca de 20 mil km² dentro da Amazônia Legal Maranhense. Devido às suas características hidrológicas e ao seu relevante interesse ambiental, biológico e científico, foi transformada em Área de Proteção Ambiental – APA, onde predominam terras planas, baixas e inundáveis, possuindo o maior conjunto de bacias lacustres do Nordeste. Tal fisionomia se assemelha muito a do Pantanal Matogrossense que é caracterizado como um grande campo plano, cuja dinâmica é regulada pelo regime hidrológico que caracteriza períodos de cheia e seca. Nesse contexto, a baixada maranhense também é conhecida como Pantanal Maranhense. O conhecimento taxonômico aliado às iniciativas que visem o uso sustentável de áreas úmidas pode ser a chave para a conservação, restauração e/ou manutenção da vegetação aquática da Amazônia maranhense. Estudos florísticos, associados à Etnobiologia procuram conhecer e divulgar as estratégias usadas pelos humanos e suas relações com os recursos biológicos. Esses estudos valorizam o conhecimento tradicional devido ao seu modo de vida mais interativo com a vegetação. Diante desse contexto, fazem-se necessários estudos direcionados para o conhecimento dessas espécies do Pantanal Maranhense, alinhando estudos no âmbito da taxonomia, florística, etnobotânica, distribuição, análise de imagens e Educação Ambiental.

Apesar da flora das restingas terem poucas linhagens ou espécies endêmicas, alguns autores a interpretavam como uma versão empobrecida em relação a flora dos biomas adjacentes. Estudos de filogenias de diferentes grupos de plantas tem demonstrado que poucas linhagens se adaptaram para se estabelecer na restinga, indicando ser difícil para uma linhagem de planta desenvolver os mecanismos necessários para se estabelecer em um ambiente marcado por tanta limitações ambientais, principalmente fatores edáficos e climáticos. Com uma perspectiva biogeográfica, esta abordagem pode ser aplicada para compreender a escala espacial dos processos de formação das comunidades. Desse modo, tanto a beta diversidade filogenética e os conjuntos de traços funcionais ajudam a caracterizar as diferentes comunidades ecológicas entre a vegetação de restinga e outras formações, ou até mesmo entre a vegetação restinga. Diante desse contexto, a costa do Maranhão, a segunda maior em extensão do Brasil, compreendendo cerca de 640 km de litoral, representada por duas porções, o litoral Amazônico e o litoral Nordestino Setentrional apresenta particularidades em relação a flora que precisam ser avaliadas. Nesse estudo, pretendemos esclarecer os processos estruturadores das comunidades da vegetação de dunas e restingas, formada por espécies dispersas pelos ecossistemas adjacentes, mesmo entre comunidades geograficamente próximas. Contribuindo com análises para verificar se existem padrões de diversidade e distribuição de espécies a partir de diferentes fatores ambientais.

A Organização das Nações Unidas decretou a década 2021-2030, a década da restauração de ecossistemas, com o objetivo de reverter as perdas de contribuições da natureza para o bem-estar humano e das demais espécies que compõem a rica, porém, ameaçada biodiversidade. A Área de Endemismo Belém (AEB), local onde essa proposta PELD será desenvolvida, é a região mas degradada da Amazônia brasileira (24% da cobertura florestal original apenas) caracterizada pelos piores indicadores de desenvolvimento humano do Brasil e entre os mais altos níveis de violência no campo. Essa situação está estreitamente ligada à falta de acesso aos recursos essenciais, como moradia, educação, meios de transporte, comunicação e saúde que a maioria da população local vive diariamente. Por causa dessa combinação entre os baixos indicadores sociais e ambientais, a região é considerada um hotspot para conservação e restauração da biodiversidade no mundo. Nesse contexto, a presente proposta visa a instalação de uma rede de parcelas de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD) na Reserva Biológica do Gurupi (Rebio Gurupi) onde será estudada a sucessão ecológica após fogo florestal intenso, em comparação com a floresta original conservada. Dessa forma, esta proposta tem por objetivo principal identificar como os distintos grupos biológicos contribuem para a resiliência da REBIO Gurupi, quais os principais elementos da biodiversidade envolvidos no processo de regeneração natural das florestas e dialogar com a população do entorno para estabelecer as bases sócio-ambientais favoráveis à restauração na área de endemismo Belém e, em particular identificar as espécies endêmicas e ameaçadas presentes na unidade de conservação (UC), essa informação é essencial para a conservação da biodiversidade na Rebio Gurupi e na AEB. A Rebio Gurupi é a única UC de proteção integral na região e, apesar de ter sido classificada entre as UC mas desmatadas da Amazônia, ela conserva uma rica biodiversidade endêmica e ameaçada como um dos primatas mais ameaçados do mundo Cebus kaapori. Desde 2010, a UC é palco de um intenso esforço de proteção e pesquisa científica por parte do ICMBio e das instituições de pesquisa da região, representadas na sua maioria nesta proposta. A articulação entre as instituições de pesquisa regionais e o ICMBio, através dessa proposta, consolidarão o papel da Rebio Gurupi como UC de proteção integral de relevância nacional e global. A proposta aqui descrita resulta da articulação das principais instituições de pesquisa que atuam na região e, em particular na Rebio Gurupi que, junto com o ICMBio, garantem a instalação e manutenção da rede PELD idealizada. Os resultados esperados para a pesquisa ecológica da região e do país, são de extrema relevância por causa das lacunas existentes no conhecimento da região, mas também pela situação excepcional da Rebio que experimenta uma regeneração natural rápida após perturbações antrópicas de grande amplitude. Assim, a restauração ecológica na região será embasada no conhecimento profundo da sucessão natural.

Considerando a necessidade de conservação dos ecossistemas litorâneos, frente a acelerada destruição, fragmentação e elevada diversidade e riqueza de espécies, que vem sendo suprimida antes mesmo de serem conhecidas, as restingas da Ilha do Maranhão demandam de estratégias de reconhecimento de sua riqueza e diversidade florística. A única referência para as áreas de restinga do Estado se deve a um levantamento florístico realizado nas praias de Ponta D’Areia e Araçagi em 1993. No entanto, esse estudo não contempla a riqueza da vegetação litorânea maranhense, tendo em vista que o Maranhão possui o segundo maior litoral do país, com aproximadamente 640km de extensão. Estudos atuais trataram as restingas da região Sudeste como formações recentes que foram colonizadas por espécies da vegetação vizinha, o que, segundo alguns autores, tornaria a restinga como uma extensão da Floresta Atlântica. Baseado nessas observações é possível que a vegetação costeira do Maranhão receba influência de alguns dos três biomas principais do Estado: Floresta Amazônica, Cerrado e Caatinga. Diante do exposto, pretendemos apresentar importante dados quanto a composição estrutural das restingas da Ilha do Maranhão. Analisar se as restingas da Ilha apresentam composição estrutural semelhante; qual a influência dos fatores edáficos na composição e distribuição e qual dos ecossistemas adjacentes podem influenciar na composição florística das restingas da Ilha.

Dentro dessas fisionomias tão díspares com diferentes espécies e estruturas, acompanhadas por variações nos solos e no clima, destaca-se o bioma Amazônico, um ecossistema heterogêneo que apresenta tanto as características climáticas de uma floresta tropical úmida, com variações de temperatura entre 24ºC a 27ºC, até uma vegetação em forma de um mosaico com fisionomias distintas como: matas de cipós, campinas e chegando as matas secas. Mesmo diante da magnitude desse bioma, são poucos os estudos envolvendo a sua composição florística e fitossociológicas, podemos citar os trabalhos de Araujo e Pinheiro (2012); Muniz (1994 e 2008); Mendes et al. (2015) e Martins e Oliveira (2011). Estudos assim contribuem para o reconhecimento inicial das espécies e ajudam em programas de manejo e conservação das áreas, apontando a necessidade de ampliação dos estudos na região, com finalidade de realização do Zoneamento Ecológico e Econômico do Bioma Amazonia no Estado do Maranhão na temática vegetação. Diante disso, o projeto tem como objetivo elaborar o diagnóstico e cenarização do ambiente climático do bioma Amazônico no estado do Maranhão, com vistas ao planejamento ambiental, social e econômico da região.

As áreas verdes representam os chamados pulmões urbanos e desempenham, juntamente com a vegetação viária, importantes funções como contribuir para a estabilização climática, reduzindo localmente as temperaturas, proporcionando resistência aos ventos e oxigenando o ar. O mapeamento dos fragmentos é uma alternativa viável porque a partir dele obtêm-se diversas informações que possibilitam possíveis planos de conservação, como a implantação de corredores ecológicos, essenciais no controle de fluxos biológicos na paisagem, reduzindo os riscos de extinção local e favorecendo as re-colonizações. Diante disso, o presente estudo justifica-se por ser uma pesquisa pioneira para o estado do Maranhão em fragmentos florestais urbanos que servirá de base para estudos taxonômicos, etnobotânicos, fitossociológicos e de recuperação de áreas degradadas, fornecendo uma listagem florística com informações ecológicas das espécies e a correta identificação dos táxons associada às imagens de satélite processadas. Tendo como objetivo realizar um levantamento da flora fanerogâmica e mapear, por meio de classificação supervisionada, utilizando imagens de satélite, fragmentos florestais urbanos, com vista à recuperação. O estudo será desenvolvido na vegetação da Cidade Universitária Dom Delgado (02º32’20.7’’S 44º16’58.4’’W) da Universidade Federal do Maranhão UFMA. Todos os fragmentos de vegetação existentes no campus serão visitados e percorridos a partir das trilhas já existentes e por meio de caminhadas exploratórias para ampliar o esforço amostral. Serão coletados os indivíduos que estiverem em estádio reprodutivo, ou seja, apresentando flores e/ou frutos. Após a coleta, o material será herborizado, identificado e inserido no Herbário do Maranhão – MAR. Serão utilizadas imagens do satélite RapidEye apresentando baixa incidência de nuvens com resolução espacial de 5 metros na banda pancromática, para o mapeamento e melhor visualização da área de estudo, o processamento das imagens facilita a identificação das diferentes comunidades vegetais, pois melhora o aspecto visual de certas feições estruturais para o analista humano e fornece outros subsídios para a sua interpretação.

Os ambientes costeiros apresentam altas concentrações salinas e escassez hídrica, além dos fortes ventos e alta incidência solar; esses fatores podem alterar o desenvolvimento morfológico das plantas, e, consequentemente, interferir na variação morfológica das espécies. Dessa forma, é imprescindível documentar essas variações em estudos taxonômicos, como forma de contribuir para a circunscrição desses táxons. Dentre os estados do Nordeste, o Maranhão foi o que menos apresentou registros novos de espécies vegetais entre 2010, de acordo com o Catálogo de Plantas e Fungos do Brasil, e 2015, ano da publicação do artigo do BFG. Isso se deve a falta de estudos taxonômicos no Estado que ainda eram incipientes durante esse período. Em 2016, a publicação de notas científicas, estudos fitossociológicos e florísticos para o Maranhão, após mais de 20 anos desde o primeiro estudo para o Estado, acrescentaram novas ocorrências de espécies de Fabaceae, Myrtaceae, Poaceae e Rubiaceae, registrando um maior volume de espécies para as famílias propostas nesse projeto. Esses achados podem indicar um potencial diversidade para esses táxons ainda muito pouco explorada no Maranhão e no Litoral Setentrional Nordestino. Frente a isso, as famílias Asteraceae, Fabaceae, Malvaceae, Melastomataceae, Myrtaceae, Poaceae e Rubiaceae são sete das dez famílias de maior riqueza para o Brasil, além de também estar entre as dez mais representativas para o Cerrado, bioma que alcança o litoral setentrional maranhense. Adicionalmente, essas famílias apresentam ampla ocorrência ao longo do litoral brasileiro, atuando como componentes preponderantes para vegetação de restingas e dunas (BFG, 2015). A falta de estudos taxonômicos voltados para essas famílias no litoral brasileiro ainda é um problema, uma vez que revisões taxonômicas realizadas em alguns Estados do Brasil tendem a não abranger indivíduos ocorrentes em áreas litorâneas. Como consequência, tem-se uma lacuna de conhecimento acerca da variação morfológica das espécies que ocorrem nestes ambientes.

PROJETOS DE EXTENSÃO

O estudo da botânica deve ser considerado como um dos principais dentro da biologia, por trazer diversos conceitos e aplicações. Entretanto, mesmo estando presente no dia a dia das pessoas, as plantas e suas finalidades, muitas vezes, são negligenciadas. E o ensino-aprendizagem de botânica ainda apresenta grandes dificuldades, sendo visto como muito teórico, abstrato e até mesmo desestimulante, o que causa desinteresse e afastamento dos estudantes. Diante disso, para alcançar de maneira mais eficiente a forma de ensinar, faz-se necessário a elaboração e uso de instrumentos de apoio para que estes possam somar com os conhecimentos do professor e com os saberes prévios dos estudantes, fazendo com que estes se sintam parte do que tem se estudado. Todavia, essa atenção precisa ser redobrada quando se fala de educação para a terceira idade, visto que o crescimento da população idosa no Brasil é uma realidade. Dentro desse contexto, destaca-se a Universidade Integrada da Terceira Idade (UNITI) que vem desenvolvendo diversas ações socioeducativas com eixo voltado para o idoso como agente de sua própria história, valorizando sua experiência de vida e sua importância nessa fase da vida. Diante do exposto, o projeto “Entre um chá e outro: experiências e saberes botânicos ao longo das gerações”, tem como propósito compartilhar os saberes sobre assuntos botânicos que fazem parte do dia a dia, para que as explicações sobre as plantas sejam realizadas de forma interativa, prática e sensorial. Fazendo com que os idosos participantes tenham vivências prazerosas durantes as atividades para irem descobrindo habilidades, expressando pensamentos, valores e histórias. Agregando e respeitando o conhecimento popular e regional sobre as plantas. As ações serão apresentadas e aplicadas de diferentes maneiras, como atividades teóricas, práticas e lúdicas, utilizando plantas comumente utilizadas e que fazem parte do cotidiano das pessoas da terceira idade.

O Instagram é uma das redes sociais mais utilizadas, apresentando um grande fluxo de informação e entretenimento da atualidade. A partir dessa rede social acredita-se que o conteúdo ministrado em diferentes disciplinas poderia ser acessado pelos alunos com maior facilidade, visto que a forma de comunicar ou explicar o conteúdo facilitaria a assimilação. Diante disso, tem-se como objetivo utilizar a rede social o Instagram como forma de colaborar com o processo de ensino-aprendizagem dos alunos a partir de conteúdos sobre botânica; ampliando esse conhecimento não só para alunos como também para a sociedade em geral. Para isso, são elaborados conteúdos que ressaltam a importância das plantas, mostrando os conceitos, as formas de usos e suas aplicações, exemplificando e associando com exemplos do cotidiano. A produção dos conteúdos que são elaborados pelos membros do Laboratório de Estudos Botânicos (LEB), da UFMA. Em seguida o conteúdo, na forma de post, é avaliado por uma comissão do LEB para possíveis ajustes, correções e melhorias. Após esse processo, o material é postado no perfil do LEB @lebufma de forma a contribuir com essa prática para o Ensino de Botânica. O uso do Instagram como ferramenta de ensino tem se mostrado como um apoio estratégico por ser a rede social mais usada entre adultos e adolescentes em todo o mundo. O compartilhamento de informações sobre a importância, o uso e a conservação das plantas, estando associado da disciplina de botânica, contribui para o ensino e aprendizagem dos alunos e também ajuda na disseminação de conhecimento para todo o público que utiliza a plataforma. Tendo em mente que a formação cidadã nos tempos atuais deve considerar as habilidades que devem ser desenvolvidas no mundo virtual.

Nos manguezais maranhenses, em particular, diversos impactos ambientais causados pelas atividades humanas podem ser destacados, como as queimadas, barragens, derramamento de óleo, aterros (MOCHEL et al., 2003), desmatamento (MOCHEL; SILVEIRA, 2000), despejo de esgoto sem tratamento, descarte de resíduos sólidos (GOMES, 2001), pesca predatória e a carcinicultura. Considerando a área total da Ilha do Maranhão (1.412,26 km2), a área de manguezal possuía em 1984 cerca de 11,09% (157,67 km2) da área total. Ao longo dos anos, esse percentual diminuiu para 5,78% (81,57 km2) segundo dados de 2014 (BRITO; BEZERRA, 2017). No município de Raposa, por exemplo, é possível observar diversos problemas ambientais de origens naturais e antrópicas. Podemos destacar a derrubada de mangues/extração de madeiras, que são utilizadas na construção de casas e produção de carvão para comunidade, despejos de efluentes domésticos, presença de resíduos sólidos que nem sempre é oriundo da comunidade, pesca predatória e a captura de caranguejo uçá durante o período de andada, entre outros. Diante disso, percebe-se que vários são os desafios a serem enfrentadas pelos municípios para possibilitar o bem-estar dos seus cidadãos e o desenvolvimento sustentável das cidades. Nesse contexto, acredita-se que a implantação de ações de educação ambiental comunitária seja o ponto de partida para a preservação e conservação em comunidades de manguezais. A elaboração e aplicação continuada de programas e projetos de EA agregando conhecimentos e articulando ações as quais resultem nos benefícios inerentes à conservação, são fundamentais para integralizar seres humanos com ambientes negativamente afetados por suas ações.

A Matemática, estando presente de forma direta ou indireta em todas as outras ciências, é importante por dialogar na interação dinâmica do homem com o meio que o circunda. Na sociedade, a matemática se destaca por sua importância no cotidiano, desde a prática de atividades simples como divisões de tarefas, compras no mercado, contornos de objetos, práticas na escola, até atividades mais complexas, como ensino de antropologia, biomedicina, avaliações estatísticas em diferentes áreas de conhecimento, entre outras. Em todos os tempos e em todas as culturas, matemática, artes, religião, música, técnicas, ciências foram desenvolvidas com a finalidade de explicar, de conhecer, de aprender, de saber/fazer e de predizer (artes divinatórias) o futuro. Outra ciência de grande importância para a sociedade é a Botânica que pode ser vista, do mesmo modo que a Matemática, em todos os lugares de diversas maneiras. O ensino de Botânica pode ser associado à várias outras áreas, como a Geografia, História e Sociologia, apresentando potencial econômico, ornamental e medicinal amplamente reconhecidos. Mesmo com toda essa visibilidade e possibilidades utilizadas no estudo da Botânica, alguns autores destacam que o ensino dessa ciência não é tarefa fácil, devido a extensa quantidade de conteúdo a serem abordados em um período muito curto, resultando em abordagens sucintas e algumas vezes insuficientes. Neste propósito destaca-se a interdisciplinaridade, que é um neologismo compreendido pela troca e inter-relações das disciplinas, resultando no conhecimento recíproco entre as áreas do saber, abrindo oportunidade para novas descobertas. Com base no tema as formas geométricas das Plantas, este projeto abordará temas relacionados a aspectos culturais e sociais interligados com a importância da Botânica e a Educação Ambiental, promovendo a percepção por meio de diferentes espécies de plantas e possibilitando o entendimento e contextualização da relação entre a matemática e a botânica.

Os jardins sensoriais ou espaços sensoriais de botânica possuem a capacidade de utilização como uma ferramenta didática, sendo abordados nesses ambientes, temas relacionados a aspectos culturais e sociais, principalmente ligados a importância da botânica e da educação ambiental, intensificando a relação do ser humano com as plantas. Na interação dos visitantes com o jardim, os sentidos fundamentais do corpo humano – visão, audição, tato, paladar e olfato – podem ser explorados, de modo a permitir uma integração com o ambiente, promovendo a percepção sensorial por meio de diferentes plantas. Um aspecto importante a ser considerado nesse contexto, é que a exploração de diferentes sentidos torna possível a participação de pessoas que apresentam alguma dificuldade sensorial (necessidades visuais, auditivas e/ou motoras). Além da abordagem sensorial, insere-se nesse contexto, apresentar a importância dos estudos acadêmicos relacionados às plantas e as pesquisas recentes desenvolvidas sobre a diversidade vegetal no estado do Maranhão, assim como, uma breve explanação sobre a importância de coletas botânicas, registros florísticos e conservação de espécies através da manutenção de acervos botânicos. De um modo geral, temas ligados ao conhecimento botânico, principalmente, sua diversidade e conservação são incipientes na educação básica e tornam-se cada vez mais relevantes diante das ameaças que as espécies vegetais têm sofrido. Assim, com o intuito de criar um espaço não-formal que vise o estímulo dos visitantes perante a importância do mundo vegetal, nós, professores e alunos do Laboratório de Estudos Botânicos (LEB) da Universidade Federal do Maranhão – UFMA, temos a intenção de montar, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia – 2014, um pequeno Jardim Sensorial. Nesse jardim, os visitantes terão a oportunidade de explorar os cinco sentidos, conhecer sensações diferentes, e entrar em contato com o mundo vegetal em suas mais exuberantes formas, sendo envolvidos por cheiros, texturas, sons e sabores, além de conhecerem a importância das pesquisas acadêmicas acerca do tema apresentado.

PROJETOS DE ENSINO

A botânica é um tema extremamente necessário para formação de diversos profissionais da área de Ciências Naturais sendo um importante alicerce para a compreensão de diferentes disciplinas associadas. O conteúdo de botânica é sempre mais complexo no ensino superior, apresentando termos específicos e técnicos, o que torna o processo de ensino aprendizagem cansativo, principalmente para os alunos. Diante disso, o estudo da morfologia das plantas, bem como a identificação e classificação constituem instrumentos necessários para a formação de profissionais nas diferentes áreas, utilizando diferentes abordagens direcionando para uma visão integrada dos conteúdos. Nessa perspectiva, está sendo proposto esse projeto de ensino objetivando buscar novas propostas didático-pedagógicas que habilitem o monitor a utilizar diferentes metodologias e técnicas que contribuam no processo de ensino e aprendizagem dos alunos do Curso de Ciências Biológicas. A dedicação dos monitores com a prática docente contribuirá para seu amadurecimento, preparando-os para a sala de aula e estimulando os alunos a se aproximarem do assunto e do docente. As atividades dos monitores junto aos alunos está associado as discussões de textos da área, acompanhamento e esclarecimento sobre as atividades propostas pelo docente no intuito de diminuir as possíveis dúvidas, permitindo, dessa forma, que os monitores tenham uma importante vivência da docência. Além disso, a presente proposta visa capacitar os alunos de graduação para a prática docente, permitindo formar profissionais com percepção de cidadãos com conhecimento geral nas diversas áreas da Biologia, integrando o ensino, a pesquisa e a extensão.

A botânica é uma disciplina indispensável para formação de diversos profissionais da área de Ciências Naturais sendo a base para a compreensão de diferentes disciplinas associadas. No ensino superior, o conteúdo de botânica é mais complexo e composto por termos específicos e técnicos, o que torna o processo de ensino aprendizagem enfadonho tanto para o aluno quanto para o professor. Neste contexto, os professores tentam buscar metodologias ativas, a partir de aulas práticas, que permitam aos alunos observar e vivenciar o material botânico estudado. Porém, para que o aluno tenha a oportunidade de construir seu conhecimento de forma ativa ele precisa contar com a ajuda dos professores e monitores e de um material didático de fácil acesso, ilustrado e que agregue significado ao conhecimento prévio sobre as plantas; possibilitando assim que o aluno aproxime a botânica ao seu cotidiano. Sendo assim, além de monitores para auxiliar nas disciplinas de botânica, este projeto visa ampliar o material didático para apoiar as aulas de botânica na UFMA com a produção de um banco de imagens de morfologia vegetal e a criação de uma ferramenta interativa virtual de livre acesso, com termos técnicos devidamente ilustrados e exemplificados. Para gerar as imagens serão utilizadas câmeras digitais e câmeras de celular para fotografas as plantas utilizadas em sala de aula. Espera-se a partir dos produtos gerados neste projeto cativar o aluno e oferecer um conteúdo de botânica aprofundado, rico em detalhes e recursos visuais para estimular o interesse dos alunos pelo conteúdo.

PROJETOS DE DESENVOLVIMENTO

O presente estudo, na linha da pesquisa acadêmica, requer a aplicação de conceitos e conhecimentos científicos alinhados às perspectivas de avanço tecnológico iminente. Com caráter multidisciplinar, evidenciado pela pesquisa da tecnologia da informação com a área da Botânica e Etnobotânica, este estudo integra capital intelectual representado por pesquisadores nas áreas das Ciências tecnológicas e biológicas. Neste cenário, justifica-se na medida em que, estrategicamente, contribui na disseminação de informações como fonte de referência para preencher uma lacuna específica de conhecimentos acerca da identificação das espécies vegetais conhecidas/utilizadas no estado do Maranhão, visando selecionar as indicações mais adequadas e seguras quanto as formas de uso popular, considerando a validação do nome cientifico dessas plantas. A realização de algumas metas do presente projeto contará com o apoio do Departamento de Biologia, por intermédio do Herbário do Maranhão (MAR) que se configura com um importante acervo relacionado ao registro físico de plantas do estado do Maranhão e vem contribuindo nessa perspectiva não só como instrumento no processo de pesquisa na área botânica, mas quanto a indicação das formas de uso dessas plantas. Agregando informações para reprodução e reconhecimento dos padrões de crescimento destas plantas, incrementando, assim, as políticas de Educação Ambiental, com ações comunitárias no intuito de manter, conservar ou utilizar os dados de forma adequada para evitar a diminuição ou perda do material vegetal.

Outros Projetos

O presente projeto mostra-se importante diante da necessidade de estruturar o Laboratório de Estudos Botânicos (LEB) com móveis e equipamentos imprescindíveis para haver condições adequadas para os alunos de Graduação e Pós-Graduação aumentarem a rotina de estudos, com identificação de espécies, elaboração de checklist, análises ecológicas, além da produção de textos de divulgação científica, frente às pesquisas desenvolvidas no laboratório. Essa necessidade deve-se, entre tantos fatores, ao acelerado processo de destruição e fragmentação dos ecossistemas vegetais, justificando a urgência em se conhecer as plantas para que estas não desapareçam antes de serem catalogadas. Além disso, é fundamental que esse conhecimento esteja associado a divulgação científica, de modo a garantir a compreensão acerca da importância da conservação das plantas e do meio ambiente na totalidade. Com isso, podem-se sugerir estratégias de prioridade de conservação dos fragmentos florestais diante da representatividade florística, servindo assim como patrimônio genético nacional. Juntamente com estudos que sensibilizem professores e alunos sobre a importância das plantas e conservação de sua diversidade. O presente projeto pretende reestruturar e modernizar o Laboratório de Estudos Botânicos (LEB) para consolidar os estudos na área de Botânica, principalmente florística e taxonomia, e de ensino de Botânica no estado do Maranhão. A presente trabalho proporcionará à comunidade universitária uma reflexão quanto a importância da correta identificação das espécies, no intuito de ampliar os registros sobre a diversidade vegetal do Maranhão, servindo como apoio para os pesquisadores parceiros que desenvolvem estudos de fenologia, polinização, análises farmacológicas, sobre as formas de uso e análise de plantas aromáticas.